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Paulo Freire, o câncer da educação brasileira

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Dentro da "ordem opressora capitalista" você pode questionar o governo, instituições e expor suas ideias.

Já dentro da ordem verdadeiramente opressora como a cubana, você não pode pleitear uma mudança de poder, não pode fazer verdadeira oposição e se fizer ´pode acabar preso ou fuzilado no paredão.




História da Educação Brasileira (1945 - 2016)

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Anteriormente anexamos algumas características notáveis do enfim crescimento educacional e cultural do Brasil. Vimos personagens notáveis como Fernando Azevedo, Gustavo Capanema, entre vários outros. É evidente que, até este momento, utilizamos boa parte da literatura nacional para conseguirmos expandir os horizontes, em seus aspectos culturais, e consequentemente obtermos um resultado mais satisfatório e real. No entanto, no período que iremos abordar agora, não terá como ver a história da educação com tanta rigorosidade literária como colocamos anteriormente, por alguns fatores. O primeiro se dá pela falta de uma literatura autossuficiente que nos ajude a compreender os relevos sociais. O segundo se trata da complexidade nacional geográfica e antropológica.

Imputarei, aqui, os principais momentos da educação em suas reformas e seus significados mais profundos, junto com análises e realces econômicos que poderão servir, ao leitor, reflexões interessantes.

República Populista (1946 – 1964) 

O presidente, então, Eurico Gaspar Dutra (Período 1946 a 1951), entra após a deposição de Getúlio Vargas, restabelecendo-se o regime democrático. Pela oposição o Brigadeiro Eduardo Gomes e, pelo Partido Comunista, Yeddo Fiúza. Dutra acabou vencendo a eleição, assumindo o poder a 31 de janeiro de 1946, firmando o processo de democratização do país já iniciado em 45. Na Assembleia Constituinte, elaborou-se, a nova Constituição que foi promulgada a 18 de setembro de 1946, definindo o poder Executivo, Legislativo e Judiciário havendo, logo após as eleições das Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Neste contexto histórico, temos na educação uma reestruturação através de decreto-lei chamado Lei Orgânica do Ensino Primário que renovava os princípios de educação de 1932. Temos o “Ensino Normal”, que até então era alçada a responsabilidade dos estados, sendo centralizado através da “Lei Orgânica do Ensino Normal”. Os aspectos econômicos que elevaram estes projetos foram às tentativas de minorar o custo de vida e levar o país a melhores condições financeiras. Dutra instalou, para isto, o Centro de Aeronáutica, o Conselho Nacional de Economia e a Escola Superior de Guerra.

A contraposição de idéias entre essencialistas e os da “nouvelle pédagogie” (Influências francesas das pedagogias Naturalistas e Neonaturalistas), que no período do Estado Novo foi marcante para o sistema educacional, surge em um novo momento na década de 50 gerado pelo conflito “Escola Pública” versus “Escola Particular”. A escola particular foi defendida pelos donos das escolas privadas, pela Igreja Católica e os conservadores em geral, a qual afirmava que a escola pública não via seus alunos integralmente, limitando-se a desenvolver sua inteligência e outras caraterísticas ligadas ao conhecimento formal. A escola pública "não educava". Somente a escola confessional estava apta a educar, a desenvolver a inteligência e formar o caráter, a partir de uma filosofia integral de vida, inexistente na escola pública. Os essencialistas defendiam a subvenção pública às escolas particulares, o direito das famílias na formação integral de seus filhos e, a maioria baseava-se na doutrina católica do papa Pio XII.

Além disso, os conflitos políticos iniciados na Era Vargas (Integralistas, Essencialistas, Comunistas/Progressistas), atingiram quase que totalmente o assunto da educação. O que acontece internacionalmente próximo a este período, é o fim da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e o início da Guerra Fria (1945 – 1991), refletindo na política nacional. Os Essencialistas e Conservadores – quantidade massiva da população brasileira – enxergavam que a Escola Pública não estava de acordo com os preceitos educacionais tradicionais. A influência da Escola Nova crescia e, portanto, os ideais progressistas e estatizantes também. A Escola Pública preocupou os Essencialistas da época por questões político-ideológica ligada a Esquerda Mundial, que seriam, portanto, inimigos de Deus, da família e da pátria.

O resultado a partir daí foi claro e evidente. Os adeptos a Escola Pública fundamentaram suas idéias através dos preceitos progressistas, infundindo dentro da escola “a idéia de educar o indivíduo somente para a sociedade”. Não deu certo.

No sentido econômico, temos a grande origem inflacionária brasileira estando incluída desde o governo de Juscelino Kubitschek (Período 1956 – 1961), em toda aquela utopia em tentar fazer “cinquenta anos em cinco”. Por existir tal intuição de uma suposta forma mágica econômica, o governo de J.K decide imprimir dinheiro de forma completamente desorganizada, dentro dos efeitos de gerar pagamento a mineiros para fazer estradas e prédios da maneira mais rápida possível. Gerando, dessa forma, um grande potencial inflacionário.

O que acontece nesse período em diante, visto que as partes ideológicas se contrapunham por essência as demandas sociais caracterizadas pelos essencialistas, o Centro Popular de Cultura – ligado a UNE União Nacional de Estudantes – criado em 1962, tendo como pressuposto e interesse objetivo a criação e incentivo “arte revolucionária” (no Teatro, Música e Cinema), têm-se uma interpretação errônea do significado e os meios de Cultura, Economia e Política, fazendo com que o Estado brasileiro se encarregue dessas funções. Surge, então, o movimento “Educação Popular” altamente influenciado pelas políticas de esquerda. Logo, neste período, aconteceu novamente o que os economistas chamam de “potencial inflacionário”, visto que as demandas ideológicas de Esquerda passavam por cima da estrutura econômica, clamando a regulamentação do Estado para realizar funções que competem somente aos indivíduos.

Com a faculdade inflacionária muito forte, acirrando-se com a renúncia de Jânio Quadros (1961) e com o governo João Goulart (Período 1961 – 1964), passa a existir distúrbios políticos muito grandes. Uma desordem econômica e política passam a predominar em todos os setores públicos e privados, com toda a responsabilidade – ainda não cumprida – pela esquerda que tentava tomar o poder. E, por consequência inevitável, a situação educacional estagnou.

Período Militar (1964 – 1985)

A primeira ação que devemos assinalar neste período se trata da reestruturação econômica planejada pelos Militares. Debelada o potencial inflacionário pelo governo militar, mais especificadamente coma dupla Bulhões e Campos, formam-se planos de governo como o Instrumento de correção Monetária, a fim de manter a ordem já destruída pela esquerda e Goulart tempos anteriores. O plano deu certo e logo após veio Delfim Neto e o Brasil obteve um crescimento de 11 – 12%.

Visto a situação educacional daquele momento, o governo logo percebeu que teria de tomar uma providência. Os planos e reformas educacionais anteriores cujo sistema era falho, evidenciava que alguma mudança deveria acontecer. Depois dos planos educacionais, influenciados por Darcy Ribeiro na Universidade de Brasília antes do Regime e que, por sua vez, examinando e concluindo que os projetos educacionais não iriam durar pela sua insuficiência econômica e a altíssima participação ideológica, José Carlos Almeida de Azevedo (Militar, mestre em Engenharia e Arquitetura Naval, Física e Engenharia Militar formado em Massachusetts) foi vice-reitor e reitor em 1976 da Universidade, resolvendo seus principais problemas – tal universidade poderia nem existir se não assumisse o cargo.

Um crescimento muito grande há neste período. Números excessivos de matrículas em faculdades estão registrados. O vestibular para elas não se assemelham ao atual, visto que somente aqueles que não atingiam a nota necessária eram desaprovados. Isso nos mostra, sem a menor sombra de dúvida, de que os projetos educacionais estavam surgindo efeito, pois, em suma, a taxa de analfabetismo da época reduziu.

Entre eles se encaixam a “Educação Moral e Cívica” que se tornava obrigatória. Criada pelo Decreto-lei n° 869, de 12 de setembro de 1969, de acordo com as finalidades propostas pela Comissão Nacional de Moral e Civismo. Estas finalidades visam despertar no aluno o senso de responsabilidade de ser cidadão brasileiro e membro da comunidade humana, dando-lhe a consciência de ser moral, racional e nacional. O objetivo deste projeto, diferente do que muitos dizem não se tratava para apoiar o Regime Militar. O objetivo era, na verdade, mais como um efeito existencial na pessoa do que o de simples aprendizagem de conteúdo teórico. Atingia-se este objetivo quando “o aluno sai mais cônscio de suas responsabilidades, mais ciente de ser um cidadão radicado no contexto de um país em desenvolvimento, com muitas obrigações para com a coletividade e individualidade, em cujo seio nasceu e com a qual tem de cooperar”.

Ainda na Educação Moral e Cívica há o realce da família, da religião e dos valores morais. O homem só pode sobreviver num meio social se ele tiver a organização dentro de si. Ou seja, uma preparação para a organização social propriamente dita, uma preparação do indivíduo. Não há, ali, uma imitação da sociedade dentro da escola, assim como os teóricos da neo-pedagogia acreditam ser a solução. Pelo contrário. Assim como diz Silveira Bueno:

               “O mundo no meio do qual o homem vive não é formado só de coisas e objetos materiais. É constituído, sobretudo, de valores, símbolos, imagens e representações mentais, de ideias de vida, hábitos e fatos aprendidos. Por isso é que a felicidade ou infelicidade, alegria e tristeza, dependem do ajustamento dos elementos básicos do mundo interior com o mundo em que se vive. Para tanto, é necessário aprender o que são valores”.

Também temos, ainda no período militar, realces nas áreas de Educação Física para a formação de atletas, realces no ensino técnico, formação de professores de História junto ao processo técnico e a pedagogia humanista.

Este sucesso educacional e econômico, por sua vez, foi ficando menor no governo de Ernesto Geisel (1974 - 1979) que, apesar de muitos méritos devidos, era um governante altamente estatizante. E por conta desse fator, acabou realizando um crescimento de instituições públicas – e crescimento de pessoas dentro dessas instituições. Logo, neste aspecto, surgem alguns problemas de infraestrutura escolar dentro do sistema de ensino, mas nada que seja comparado aos anos anteriores e posteriores.

A Educação na Ditadura trouxe, a mercê de todas as visões de mundo progressistas, o choque de realidade. Nunca uma educação teve tanto progresso no Brasil como a Educação Moral e Cívica que formava, não somente futuros intelectuais e homens de estudo, como também formava o indivíduo para a organização social e o bem comum. O sentimento patriótico, o civismo e a realização econômica naquele período obtiveram crescimentos fortes que, conseguiu balancear as estruturas “cultura, política e economia” ao menos um pouco, apesar da estatização mais recente de Ernesto Geisel.

Democratização (1985 – 2016) Sócio Construtivismo e a Escola Nova

Quando começa à democratização no governo de José Sarney (1985 – 1990), a população e o próprio estado acabam obtendo uma visão errônea do que se compreende como democracia. Neste contexto, entendem de que a democratização visa atender qualquer reivindicação feita pela sociedade – mesmo que sua base esteja completamente estereotipada – criando uma espécie desorganização total no estado e, associado aos problemas de indexação, geraram juntas uma hiperinflação. Neste período, todo mundo tinha uma intuição de que poderia transferir/transportar seus preços aos preços da inflação passada. Resultado: Aumento desordenado da taxa de inflação (em um determinado mês, houve cerca de 70% da taxa inflacionária).

Por conta disso a infraestrutura da educação estava comprometida em longo prazo, junto com seus projetos e reformas educacionais que estavam sendo planejadas. Quando Sarney era governador do Maranhão, instituiu o Programa de Educação João de Barro que “permitiu a criação de uma escola por dia, um ginásio por mês, uma faculdade por ano” junto aos pretextos e adaptações a metodologia de Paulo Freire, com introdução em uma TV Educativa que, por conta disso, estende a educação por todo o Estado.

Como presidente realça os programas e, agora livre para transitar perante os projetos Freireanos’, aprofunda a pedagogia da Escola Nova junto aos novos ministros da educação. Agora, antes de continuarmos a história é preciso ter em mente de que, para podermos compreender a conjuntura educacional deste período em diante, temos que compreender por necessidade intrínseca, as novas políticas ideológicas de esquerda que afrontaram o país.

Vários aspectos da política nacional foram repensados. Nos primeiros três anos da Nova República, o foco esteve na elaboração da Constituição. Pensando nela, os participantes da 4ª Conferência Brasileira de Educação, realizada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), a Associação Nacional de Educação (Ande) e o Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes), em Goiânia, em 1986, finalizaram o evento com uma lista de propostas que incluía a suposta“efetivação do direito de todos os cidadãos ao ensino e o dever do Estado em garanti-lo”. Temos, aqui, quase que todos os precedentes Naturalistas.

A educação obrigatória voltava a entrar em circulação – como agora o Estado estaria disposto a fornecer estes conteúdos sistemáticos em sua infraestrutura. Carlos Roberto Jamil Cury, um dos precursores da idéia, diz:

"Isso significa que qualquer um que queira estudar, mesmo se estiver fora da idade obrigatória, deve ter a vaga garantida". Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Por conta disso, teve de haver novos investimentos para a educação e uma abertura maior do Estado para que isso acontecesse. No entanto, é preciso assinalar que quando a lei “indicava a aplicação na área de no mínimo 18% da receita dos impostos pela União e 25% pelos estados e municípios”, o problema econômico surge com força devido à hiperinflação que ainda permanecia desde o governo de Juscelino Kubistchek.

Dois anos depois, portanto, durante a “Conferência Mundial sobre Educação para Todos” em Jomtien, na Tailândia, foi aprovada uma declaração internacional que levava o nome do evento e propunha ações para os dez anos seguintes com vistas à universalização do ensino nos países signatários. Por aqui, Fernando Collor de Mello assumiu a presidência e criou o Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania (Pnac) em substituição à Fundação Educar – versão democrática para o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) – instituída cinco anos antes por José Sarney. Mas a iniciativa de Collor durou apenas um ano, pois, quando sofre o Impeachment pelo Senado, assume inteiramente Itamar Franco (1992 – 1994), no qual Fernando Henrique Cardoso era Ministro da Fazenda, e debelam a hiperinflação que surgiu tempos anteriores de uma maneira muito inteligente. Com a equipe de economistas, visaram dar um golpe total na indexação, criando-se a URV – uma moeda não manual. Com a URV, em conceito bem simples, um “Dólar que não é Dólar”, todos tinham a inflação corrigida na sua remuneração. Ou seja, ninguém, naquele tempo, percebia que tinha inflação, afinal ela era igual para todos.

Não obstante o problema da infraestrutura da educação naquele momento não havia sido resolvido porque o Estado Brasileiro ainda acreditava que era possível produzir atividade econômica com dinheiro falso, e a partir disso, tudo aquilo que se ligava ao investimento da Educação, em pouco tempo, não valia mais nada.

Os projetos educacionais, até então, giraram em torno de uma economia instável e reformas mais problemáticas ainda. Trata-se das influências da Escola Nova que passaram a ser aplicadas próximas ao início da democratização por “estatização de direitos” e o Sócio Construtivismo de Vygotsky que surge por dentro dos ideais das Universidades já no período militar – que, diga-se de passagem, os Militares não controlavam todas. Tais projetos, consequentemente, não refletiram em resultados animadores, mesmo estando presentes até os dias atuais.

Quando Luís Inácio Lula da Silva chega à presidência (2003 – 2011), acontece uma estatização ainda maior das empresas privadas – através dos tributos – e suas instituições para que houvesse um crescimento em investir em Cultura e Educação. Contudo, o Déficit produzido neste período refletiu na educação por meios complexos. Quando o Brasil cresceu em dívida, os salários mínimos, a taxa de imposto e tributos a serem pagos, teve de crescer para que houvesse uma maquiagem econômica. Neste sentido, por exemplo, a parte econômica do país por cima estava boa e que, não obstante, a estrutura da própria sociedade não ia bem. Isso quer dizer que, quanto mais essas taxas aumentavam, mais o preço da educação aumentava e consequentemente os investimentos teriam de serem maiores – e como foram – criando ainda mais problemas de infraestrutura (portanto, não se enganem com os números que irei apresentar mais adiante).

Mas os problemas econômicos foram pequenos comparados à destruição educacional propriamente dita. As pedagogias dentro das universidades passaram a desenvolver e disseminar a idéia de metodologias científicas para a educação – como o sócio construtivismo – retendo, em sua estrutura íntima, a mais completa inversão do significado diferencial de Educação e Ensino. O exemplo mais prático se trata das Reformas Ortográficas de 2009 que acabaram por exigir uma reestruturação da Língua de maneira desnecessária, forçando reedições de livros clássicos, tornando-os ilegíveis para as novas gerações e, consequentemente, complicando ainda mais o processo-aprendizado entre “Professor e Aluno”.Em 2012, Paulo Freire sendo nomeado Patrono da Educação Brasileira, revela-se, por uma rápida análise, a decadência educacional. Nossos estudantes, em todo este trajeto de período, passaram a permanecer nos últimos lugares em testes de medidas internacionais, sem contar a ampla falta de contribuições expressadas nas revistas científicas.

Isso sem contar, toda a partidarização-ideológica que todas essas metodologias fornecem. As noções de pedagogias da Escola Nova e Paulo Freireanas’, “forneceram no mundo inteiro, nenhuma queda nas taxas de analfabetismo. Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores a todos os Partidos e Movimentos Comunistas de todo mundo” (Olavo de Carvalho. 2012).

Em 12 anos do governo do PT, junto com Dilma Rousseff, o investimento da educação culmina com um investimento de R$ 127,9 bilhões em 2015 (ou R$ 137,2 bilhões, em termos reais). Deste crescimento, destaca-se o aumento entre 2008 e 2013, quando os valores praticamente dobraram, saltando de R$ 66,7 bilhões para R$ 126,7 bilhões. No entanto, como o governo negligenciou os aspectos Culturais, Econômicos e Políticos, enquanto osestatizava ainda mais, e impedia o processo econômico fluir naturalmente como, por exemplo, o Homeschooling, tais investimentos de nada adiantaram.

Depois das reformas do MEC, ENEM e Vestibulares, temos, em 2016, uma tentativa de aprofundar as ideias da Escola Nova pelo novo presidente Michel Temer. A medida provisória N° 746, de 22 de Setembro de 2016, refere-se em mudanças no currículo do Ensino Fundamental, dentro da Base Nacional Comum Curricular que disporá sobre temas que poderão ser incluídos, fora a inclusão de novos componentes curriculares. Assim como diz no projeto, as novas exigências do Ensino Médio, mediante as diferentes formas de comprovação, pedem, por exemplo: “I – Demonstração Prática; II Experiência de trabalho [...]XIV – Formação técnica e profissional prevista no inciso V do caput [...] XVII – Educação Indígena e Quilombola” etc.

Adiante, eu convido o leitor a uma reflexão a respeito da História da Educação Brasileira que acabamos de relatar os principais acontecimentos, suas estruturas culturais e literárias, os diversos projetos e reformas educacionais, junto aos resultados que eles nos apresentaram.

Reflexão

Talvez o leitor deva ter percebido uma rigorosidade maior na análise econômica a partir de 1956, e certo esquecimento com os aspectos antropogeográficos e culturais que representariam melhor a situação educacional. Pois digo que, deste ano em diante, as produções literárias e culturais tornaram-se tão fracas e superficiais que se tornou praticamente impossível arrancar a real estrutura social. O advento do Estado-Tutor que buscou produzir atividade cultural e econômica negligenciou profundamente suas estruturas essenciais, criando-se uma economia falsa e uma cultura falsa. Dessa forma, a análise teve de aprofundar em seus aspectos econômicos para que pudéssemos resgatar o mínimo de realidade não percebida.

Mediante todas as realizações e reformas educacionais que foram sendo aplicadas durante este período, vemos a pequena disputa entre “Escola Tradicional” que foi aprofundada no Regime Militar, e “Escola Nova” que estava sendo implantado anterior e posteriormente o Regime. Vimos acima que o período de maior disciplina e ordem educacional foi quando retiramos a Escola Nova de pautas aplicáveis e cogitáveis – mesmo ainda dentro das universidades termos documentações de discussões a respeito do Sócio Construtivismo, metodologias Naturalistas e Científicas para a aplicação da educação.

Em toda a nossa história da Educação nós evidenciamos problemas econômicos, estruturais, pedagógicos e até antropogeográficos. Não obstante, nunca a educação brasileira foi tão mal depois da “Volta da Democracia”. Os preceitos e asserções dos movimentos sociais apropriaram-se do discurso Educacional, invertendo todo o processo mediante os conceitos da Escola Nova. Aliás, inverteu-se também, toda a configuração Histórica que retemos da Educação. Não temos mais nenhuma referência Medieval, como Trivium, muito menos Humanística como a metodologia de Pestalozzi, sem contar das formas essenciais da educação que se trata do próprio Professor.

Eu diria que, o problema educacional no Brasil, não se trata de um contexto meramente histórico em “bases econômicas”. Longe disso, afinal não tenho nenhuma metodologia marxista para analisar a Educação, isso seria um verdadeiro absurdo. O problema se revela, na verdade, na própria inversão do significado de Ensino e Educação. Ora, Educação é o conjunto de valores recebidos, adquiridos, intuídos, discernidos e transmitidos através de sua relação com o mundo, associados à cultura, à experiência, à convivência. Ensino é o conjunto de disciplinas que se aprende nas escolas, desde o ensino fundamental ao superior, associadas à transmissão de conhecimento.

Em toda a nossa história, como podemos ver, teve-se um louvor às Metodologias Científicas, ou ao Estado prover a Educação/Ensino, e deixamos de lado a própria iniciativa da Sociedade como sempre foi em todos os lugares do mundo. Quando temos a idéia de uma educação democrática, para todos, de fato ela é muito bonita e graciosa. Mas quem realizará este estilo de educação, senão as próprias pessoas que querem e tem o desejo de aprender, adquirir conhecimento prático e teórico? Não podemos cometer os mesmos erros que estamos cometendo por 500 anos. Estamos imputando ao Estado um poder que ele não tem e não pode fornecer, e estamos retirando de nós, a sociedade, o poder que nós temos e podemos fornecer.


Bibliografia:
- Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Leandro Narloch)
- Noções de História da Educação (Theobaldo Miranda Santos)
- Noções de História da Literatura (Manuel Bandeira)
- História da Educação (Otaiza Oliveiroa Romanelli)
- Análise: O Cortiço (Aluísio Azevedo)
- Análise: Espumas Flutuantes (Castro Alves)
- 1808 (Laurentino Gomes)
- 1822 (Laurentino Gomes)
- 1889 (Laurentino Gomes)
- Análise: Dom Casmurro (Machado de Assis)
- Análise: Carta de Caminha

Autores referenciais:
Fernando de Azevedo/ Olavo de Carvalho/ Gustavo Capanema.

Por: Lucas Emmanuel Plaça

História da Educação Brasileira (1759 - 1889)

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A história nos conta diversos estilos pedagógicos, desde os mais primitivos que passaram durante séculos em evolução e pequenas mudanças, até os mais modernos e contemporâneos. O século XVIII (1701 – 1800) se caracteriza por mudanças intensas e extensas em praticamente todas as áreas, seja na política, religião ou filosofia. Em aspectos quantitativos e de extensões, o Brasil também sofreu estas influências. A Pedagogia Realista, através do movimento do Naturalismo Pedagógico, influenciado pelo Iluminismo que neste século se agravaria na Europa, chegou também ao Brasil com Marquês de Pombal visto que Portugal encontrava-se nessas mudanças políticas e filosóficas. Por conseguinte, a Educação também teria de mudar, já que para o movimento Iluminista, as formas pedagógicas espiritualistas e medievalistas – consagradas pela religião judaica e cristã – não tinham mais como se encaixar no perfil da sociedade que, naquele momento, visavam.

Naturalismo Pedagógico no Brasil

Marquês de Pombal (1699 – 1782), expulsa os Jesuítas em 1759 do Brasil com o objetivo de substituí-los perante orientação de um Diretor de Estudos. Neste momento, e como exemplo, os filhos de Santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus, tiveram de pagar com prisão e/ou sofrimento com benefícios prestados que foram arrecadados durante aqueles dois séculos na colônia. Com a educação realista, esta que se baseia na concepção do domínio do mundo exterior, visava à superioridade das pedagogias anteriores com viés mais científico e desenvolver, a partir disso, culto à razão individual.

Por não existir nada que cobrisse as despesas das novas instituições escolares, teve de ser criado um imposto – o subsídio literário – sobre as produções agrícolas que ali eram realizadas. Não havia regularidade na quantidade e nem na qualidade dessa cobrança, visto que muitos professores ficavam meses sem receber vencimentos.

Neste período inicial houve um crescimento quantitativo de instituições, algumas delas surgiram em 1774, que eram aulas régias: uma de filosofia, no Rio de Janeiro e a outra de Latim em São João del Rei. Em 1782, o vice-rei do Brasil D. Luís de Vasconcelos (1742 – 1809), fundou ainda no Rio de Janeiro, a Escola de Retórica e Poética e a Casa dos Pássaros que, posteriormente se tornou o Museu Nacional. O famoso Seminário de Olinda, em 1789 por Azeredo Coutinho – junto aos princípios das reformas pombalinas – e em 1799 a criação de cadeiras de aritmética, trigonometria e geometria.

Não obstante, é preciso enxergar que, o crescimento que houve ali, tratado de quantitativo, não nos remete a pensar de que se tratou de um crescimento qualitativo e muito menos de um pleno funcionamento que conseguiu abranger todas as margens que os Jesuítas conseguiam, mostrando que a Companhia de Jesus foi a melhor até o momento, em que sua força educativa consistia em um ideal superior, já o Naturalismo Pedagógico não retinha forças suficientes, pois, sem a crença habitual de tal ideal, tais formas perdiam o interesse até mesmo do investimento exterior. Havendo, também, a falta de recursos – visto que ao expulsar os Jesuítas, os pequenos prédios e casas que se realizavam as aulas foram abandonados e destruídos – que se constituíam, segundo Theobaldo Miranda Santos:

  “[...] Possuíam os Jesuítas só no Reino 24 colégios, além de 17 casas de residência, e na Colônia, 25 residências, 36 missões e 17 colégios e seminários, sem contar os seminários menores e as escolas de ler e escrever, instaladas em quase todas as aldeias e povoações onde existiam casas da Companhia [...]” (Noções de História da Educação. Página 557).

E assim como disse Moreira Azevedo, “Só havia escolas nas cidades e vilas mais importantes, enquanto, os outros pontos do país viviam na mais completa ignorância. Excetuados os seminários e as aulas monásticas, só se poderia beber alguma instrução, frequentando-se as poucas aulas (escolas) régias de Latim, de Retórica, de Filosofia e o mui limitado número de escolas de instrução elementar”.

Nos aspectos culturais nós sabemos que a influência do meio econômico é praticamente inexistente. Seja a cultura popular ou a alta cultura, tais efeitos não surgem através do dinheiro. No Brasil, as influências do liberalismo econômico e político surgiam através do naturalismo pedagógico que, retendo seus problemas, não foi tão abrangente quanto em décadas futuras – com números ainda muito reduzidos.  A influência de John Locke (1623 – 1704) no pensamento brasileiro não foi profunda. A única evidência de prestígio do liberalismo se tratou no meio pedagógico, e posteriormente realçado no meio político e reduzido no meio cultural.

No entanto, o assunto da Educação, agora tratado com especulações rígidas ao medievalismo, espiritualismo e as pedagogias primitivas como a Hebraica, Grega e Romana, passou a girar em torno de uma espécie de promoções sociais que agora a escola iria conceder como prestígio irrevogável. Isto é, a Educação Laica, metodologia naturalista que, por aspectos históricos podemos ver que ali, naquele momento, não se tratava de uma educação para a vida, mas para uma profissionalização, e a Educação obrigatória.

Em pequenos momentos que ainda vigoraram na Colônia, podemos enxergar modelos de educação disciplinar, pietista e racionalista. Dentro do Naturalismo Pedagógico, nem mesmo a Educação Psicológica, “filantropista” e psicológica entraram no Brasil, visto que as conjunturas internacionais portuguesas impediram, de certa forma, um realce dessas pedagogias. Os grandes problemas que ainda vigoraram se tratava, portanto, das péssimas qualidades de ensino, confusões de metodologias, leves desleixos por parte de Portugal quanto à educação brasileira por aspectos econômicos e que, consequentemente estes efeitos passaram a ser evidenciados com mais profundidade no Período Monárquico.

Período Monárquico

O realce dos episódios coloniais podem expressar divergências de interpretações perante os conhecimentos da época que podemos trazer conosco. Seja a Companhia de Jesus ou o Naturalismo Pedagógico, nenhuns dos dois projetos educacionais partiram de pretextos para a educação como formador de caráter e consequentemente de vida, mas por puras jogatinas econômicas ou políticas. É claro que, devido suas circunstâncias históricas, não há nada que exigir, afinal percebemos que há uma mescla de ambos os precedentes com a formação  intelectual individual por excelência nas suas estruturas como o Trivium (Três vias) e o Quadrivium (Quatro Vias). As “Sete Artes Liberais” já faziam parte de ambas as pedagogias, como a Retórica (sua arte Gramatical), Lógica e Dialética, Aritmética, Geometria, Astronomia e Música. Esboçadas em planos educacionais e em seu contexto histórico mais profundo ligado à Idade Média, percebemos que, desde o início, mesmo possuindo problemas econômicos e políticos, a Alta Cultura já se expressava e habitava o país por um vislumbre quase que impercebível mediante tantos inconvenientes. É por isso que remontar à Idade Média e a história da Europa, dentre outras possibilidades de acontecimentos externos, muitas vezes, se torna necessária.

Nosso período Monárquico se constitui em duas fases, a primeira se trata do Reinado de Don João VI (1767 – 1826), que em história resumida, foi rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Conhecido como “O Clemente”, obtendo a notícia de que as tropas de Bonaparte estariam em plena invasão em Portugal – visto que o “Bloqueio Continental” decretado pelo próprio Napoleão não estava sendo seguido – embarca ao Brasil, ancorando em 22 de Janeiro de 1808. Ainda neste dia, por influência de Visconde de Cairú (o mesmo que estaria ativo na Independência do Brasil posterior), decretou a abertura dos portos do Brasil para o comércio externo.

D. João VI apesar de pequenos méritos na criação de instituições com teor mais culturais – que por sua vez abrangeria minimamente a alta cultura – seu objetivo se tratava de um viés já consagrado em tempos anteriores, sobre uma educação de preparo de especialização e profissionalização para atender as necessidades do reinado.

O sentimento nativista literário que surge anteriormente, no século XVII, amadurece a partir deste momento. Sabemos que é marcado pelas academias literárias com nomes conhecidos como Rocha Pita e Cláudio Manuel da Costa, também pelo Romantismo de Domingos Gonçalves Magalhães, a poesia segundo Álvares de Azevedo, e pela ficção realista de Aluísio de Azevedo, Júlio Ribeiro, Afrânio Peixoto, etc. A chegada de historiadores e escritores como Capistrano de Abreu – seguidor da corrente positivista – Eduardo Prado, Rui Barbosa, Sílvio Romero, etc. Todos estes grandes personagens, independente de suas visões de mundo, encarnaram, a partir daquele momento, compreender a partir da História e expressar através da literatura nacional a realidade brasileira, seja de uma forma romântica ou realista (mais para frente veremos, no final, um leve realce de algumas destas figuras e suas formas expressivas que nos ajudam a pensar este momento da história da educação).

As histórias das universidades brasileiras remetem, em 1808, ao sentimento da procura por Medicina, com cursos de Anatomiae de Cirurgia (ao quais cresceram em 1809), preparação de engenheiros e militares em 1810, tendo em vista os interesses de defesa do Brasil que D. João VI acreditava ser necessário. O que, de fato, não era mentira. Por esta razão, a cadeira de Economia em 1808 já existia, com cursos de agricultura em botânica, e 1812 abrangendo química industrial e mineralogia. O crescimento quantitativo continuava em 1816, na Missão Artística Francesa que acabou originando, por sua vez, a Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil – que mais tarde se transformou na Escola Nacional de Belas Artes.

Apesar deste período o crescimento de áreas do conhecimento serem intensas e extensas, a negligência econômica e a falta de uma análise do relevo social e as possibilidades subsequentes ainda continuavam desde o tempo da Colônia. Dessa forma, pouquíssimo desenvolvimento aconteceu de fato, visto que o reinado de D. João VI não aprofundou, internamente, os interesses profundos da Educação, dando forma inicial àquilo que José Monir Nasser disse em uma palestra sobre o livro “O Trivium”:

               “O assunto não se trata da Educação, mas apenas de uma espécie de promoção social de que lhe é concedida”.

Dessa forma, conseguimos entender de que o caráter de uma educação por excelência nunca foi buscada até o momento. Isto é, a educação como formação para a própria vida e não para aquilo que os aspectos externos irão conferir. O ensino Brasileiro, a partir deste momento em questão, torna-se uma espécie de “ritual de natureza governamental” que, desde a era Naturalista, impele a obrigatoriedade de uma educação e, por consequência inevitável, isso não tem nada a ver com educar um indivíduo. Ora, quando enxergamos a História das Universidades, desde a sua criação, os indivíduos que ali estavam para aprender foram por conta própria, pelo único e exclusivo interesse de estudar e adquirir conhecimento teórico e prático. A Literrae (Literatura – exemplificação da nação) é o caráter singular das Universidades. Infelizmente no Brasil, percebemos que houve uma inversão de seus conceitos e de sua própria definição ontológica, já resgatada de todos os estereótipos criados pelo Iluminismo e, os gêneros literários só passam a resplandecer seu ápice, próximo e durante o Império.

Após a famosa Revolução Liberal do Porto de 1820, esta que continha um ponhado de antecedentes de conspirações em Portugal em 1817, e que segundo Laurentino Gomes, algumas dessas situações impulsionaram o avanço da Independência do Brasil, realizado por ninguém menos que Pedro I (1798 – 1834), transcorreu tantas mudanças na área política e econômica, o que a princípio podemos ver de que não foi a de maior influência, quanto na área cultural.

A partir de 1822 a educação nacional se torna, por fim, um dos temas mais importantes da Constituinte, já ligados aos ideais da Revolução Francesa e dos antirrevolucionários também. É preciso pontuar de que, mesmo obtendo um crescimento cultural forte, o debate sobre a educação, por ainda existir os mesmos resquícios da Colônia, dos Iluministas e de meras formações profissionais, continuou-se ainda nas teorias e a única prática que foi aplicada se trata do Ensino Monitorial – que logo veremos mais profundamente.

Em nossa memória reside o Deputado Martim Francisco Ribeiro de Andrada Machado sobre a “Necessidade de uma Instrução Geral e mais conforme com os Deveres do Homem na Sociedade; Insuficiência da Atual”, e o projeto do Cônego Januário Cunha Barbosa sobre a reforma do ensino nacional que foi apresentado em 1826 (exigindo, neste, inspeção escolar, a fundação do Instituto Imperial, nos moldes do Instuto de França, a organização de todos os graus de ensino e a proibição de se fazer, durante seis anos, qualquer alteração no sistema de instrução pública). Esta parte de Januário Barbosa, após várias discussões, relativa somente ao ensino primário, foi transformada em lei no dia 15 de outubro de 1827 que, por sua vez, impulsionou a criação de escolas de letras em todas as cidades e vilas. Tais escolas se tratavam da metodologia do “Ensino Monitorial”.

O Ensino Monitorial/Mútuo se tratou de uma forma de fazer com que um professor consiga dar aula para uma quantidade absurda de alunos. Este método lancasteriano (influência iluminista) surge em um determinado momento que, devido às diversas escolas criadas em um tempo muito curto, a formação dos professores e sua quantidade não acompanhava tal progresso. Para compensar a falta, um professor em uma escola decidia por testes e avaliações, alguns monitores para ajudá-lo no processo. Existia cerca de um ou dois monitores – um deles com o título de “geral” – para monitorar e dirigir a classe nos exercícios. O papel do professor, neste esquema, se torna restrito. Havia a diferenciação de Escolas de “meninos” e de “meninas”. A idéia se aponta muito econômica e, de alguma forma, propícia ao funcionamento. No entando, assim como diz Fernando Azevedo:

                 “Os resultados, porém, dessa lei que fracassou por várias causas econômicas, técnicas e políticas, não corresponderam aos intúitos do legislador; o governo mostrou-se incapaz de organizar a educação popular no país; poucas, as escolas que se criaram, sobretudo as de meninas, que em todo o território, em 1832, não passavam de 20, segundo o depoimento de Lino Coutinho, e na esperança ilusória de se resolver o problema pela divulgação do método de Lancaster ou de ensino mútuo que quase dispensava o professor, transcorreram quinze anos (1823 – 1838) até que se dissipassem todas as ilusões”.

Somente em 1834, com a forte influência das correntes liberais que dominou a política da Regência e que, por sua vez, impediu a vitória das tendências regionalistas, o Ato Adicional foi decretado e trasnferido às províncias a alçada de legislar sobre instrução pública, com exeção no Município Neutro (Distrito Federal). Theobaldo Miranda Santos ainda pontua:

                   “A criação do Arquivo Público e do Instituto Histórico, no Rio em 1838, e a reforma do ensino primário de São Paulo em 1846, nada se registra de notável na educação brasileira de 1835 a 1850. Em 1851, aparece o relatório de Justiniano José da Rocha, onde é criticada a organização vigente do ensino secundário e assinalada ‘a Fome de emprego público no Brasil’, resultante da falta de conveniente para a reforma do ensino de Luiz Pedreira Couto Ferraz, a qual foi regulamentada em 1854. Por essa reforma foram instituidas escolas primárias do primeiro e do segundo grau. O curso secundário continuava a ser de sete anos. As transferências de um estavalecimento para outro eram proibidas. E os alunos do Colégio Pedro II não deviam ter menos de 12 nem mais de 18 anos de idade.” (Noções de História da Educação. Página 563).

Após 1870, na reforma do Conselheiro Leôncio de Carvalho, a última do Império, só foi substituída por Benjamin Constant em 1890. Couto Ferraz, o organizador liberal, acreditava que faltava uma base educacional definida. A partir deste precedente, Rui Barbosa elaborou dois pareceres sobre o ensino secundário, superior e sobre o ensino primário apresentado, respectivamente, em 1882 e 1883. Fernando Azevedo, a respeito do projeto e explicando suas contradições, disse:

                     “Um plano ideal e teórico, em que se coordenam, por uma espécie de ecletismo, elementos e instituições discordantes, inspirados nos meios sociais mais diversos, como a Inglaterra, a Alemanha e os Estados Unidos”.

Em resumidas contas, a Educação no Império não evidenciou resultados animadores. Em todo o seu processo, a confusão de elementos educacionais já concebidos anteriormente se tornou tão forte que praticamente todos os projetos não eram concisos e sustentáveis. O valor político estava forte, mas o econômico, devido a Guerra do Paraguai que se aproximava ao fim do Império e diversos fatores, contribuíram para uma confusão política – embora resistente – e um desfecho econômico sem alguma resistência.

Em favor da Independência, adentrando a literatura da época, e o sentimento patriótico que necessitavam Domingos José Gonçalves de Magalhães, por exemplo, ressaltava em 1836, publicando seu primeiro artigo na revista Niterói. Neste artigo, estavam indicados os principais pontos que iriam constituir a revolução romântica no Brasil: Abandono dos artifícios arcádicos, da mitologia, da paisagem européia – Carta de Caminha, por exemplo – em favor da natureza brasileira e da religião; abandono das regras clássicas, substituídas pela livre iniciativa individual.

Castro Alves, um poeta social do romantismo expressava fortes temáticas como existência, morte, contendo ligações com a sua vida. Na política, homenageava os heróis da guerra do Paraguai e da independência. Aluísio Azevedo, naturalista do realismo, explorava a baixeza, desonestidade e crimes. Machado de Assis, realista, perdas e misérias morais. Todos eles expressavam em seus contos e narrativas fictícias, a realidade brasileira, desde seus pontos imorais e trágicos até os momentos de glórias, liberdade e bondade. E, conseguimos fazer uma ligação com os ensinos deficientes e fragmentados, sem um plano nacional que lhe emprestasse uma estrutura orgânica. Devido às influências herdadas dos Portugueses, desde seus ápices Iluministas que ainda existiam, influências de guerras e fatores externos mostram através da nossa literatura que a Educação Brasileira começou errada e desde seu início a politicagem, o objetivo econômico e suas crenças por parte do dinheiro passavam por cima de toda a estrutura moral – de certa forma vigente – que a pouco seria necessária para contê-los e clamar pela alta cultura que estava escondida.


Por: Lucas Emmanuel Plaça

História da Educação Brasileira (1549 - 1759)

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Por muito tempo, em influência cotidiana de visões positivistas educacionais e analíticas, permaneceu aquela percepção da educação, não como forma de engrandecer a vida intelectual e em sua forma expressiva de convivência, mas como meros caprichos complementares que necessita de bases econômicas sólidas para o engrandecimento da alta cultura posterior. O que tem certa concordância com a realidade, mas não se trata somente disso (desculpa amigos liberais). De início, para compreendermos o estado educacional histórico, precisamos de uma redefinição – em termos contemporâneos – e/ou resgate da definição mais ontológica possível de cultura.

Alta Cultura

Nós sabemos que em contextos históricos a prevalência estrutural para a educação se dê por três níveis, assim como diz OtaizaOliveiroaRomanelli em seu livro “História da Educação no Brasil”:

“A primeira delas é a de que a forma como evolui a economia interfere na evolução da organização do ensino [...] A segunda constatação relaciona-se com a evolução da cultura, sobretudo da cultura letrada [...] A terceira constatação tem implicações com o sistema politico. A forma como se organiza o poder também se relaciona diretamente com a organização do ensino [...]” (Página 14).

Dois destes três níveis, muitas vezes em nossa história, se prevaleceu e ultrapassou seus limites e dessa forma desequilibrando a estrutura natural da forma de ensino. A economia e suas aspirações ligadas à sociedade, e a política – sobretudo suas influências ideológicas – ligadas ao movimento real de interesses subjetivos e partidários.

Normalmente em sociedades civilizadas este desequilíbrio que gera a inversão do real alcance e objetivo prático da educação, simplesmente não existe, pois sua cultura se apresenta resistente e forte o bastante para conter os dois blocos influentes. Em todo caso, a alta cultura da Europa, por exemplo, apresentada e muito bem documentada em obras literárias – que visam o compartilhamento e realce de experiências práticas dos indivíduos e grupos – conseguiam condensar/sintetizar alguns elementos que moldavam discernimentos.

Isso, por sua vez, mostra a função básica da cultura: Saber o que se passa o que é a experiência humana real e que de algum modo condensa os símbolos e elementos artísticos em sínteses imaginativas. Sem a síntese literária num país, as ciências humanas e políticas se tornam coadjuvantes da ereção do problema, afinal existe somente a utilização de conceitos já prontos e estereotipados da sociedade. É evidente de que isso se trata, por exemplo, das análises marxistas, liberais, positivistas e até as mais subjetivas como as da Escola dos Annales. A partir disso só resta conclusões mais errôneas e interpretações de conjunto inexistentes. Encaramos, portanto, um problema muito forte e ao mesmo tempo precário em essência que, não só impossibilita a compreensão ontológica da sociedade por meios filosóficos, como também restringe a margem de análise que podemos realizar perante estes conceitos pré-concebidos.

Por essa razão, no decorrer da história da educação e em busca de seus elementos mais elementares, apelarei à literatura mais honrosa brasileira – e até estrangeira dependendo das possibilidades subsequentes – para conseguir repassar a análise.

Companhia de Jesus/ Jesuítas

A Europa daquele momento vivenciava um acontecimento histórico que definiu, quase que inteiramente o futuro das religiões cristãs a divisão interna do Cristianismo conhecida como Reforma Protestante (1517). Pelo incontável crescimento protestante, a Igreja Católica percebeu que sua influência poderia estar comprometida e deveria tomar alguma providência interna e externa, alavancando as chances futuras da realização da Companhia de Jesus (Reforma Católica) adentrar o Brasil em função do contexto da Contrarreforma. Momentos memoráveis da educação brasileira não podem ser apagados, por isso sempre há uma apelação ao discurso rasteiro de determinadas circunstâncias históricas. Os Jesuítas da Ordem Religiosa fundada em 1534 em uma Universidade de Paris, já eram os pioneiros da educação brasileira na íntegra, chegando ao Brasil em 1550 por Manuel da Nóbrega (1517 – 1570). No entanto, segundo fontes diversificadas, como no livro “Noções de História da Educação” de Theobaldo Miranda Santos, diz que chegaram um ano antes:

           “Os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil com Thomé de Souza, em 1549. Eram todos portugueses, sendo quatro Padres – Manuel da Nóbrega, Aspocuelta Navarro, Leonardo Nunes e Antonio Pires, e dois Irmãos – Vicente Rijo ou Rodrigues e Diogo Jacome. Assim que desembarcaram na Bahia, os jesuítas trataram logo de fundar escolas. Por isso, pouco tempo depois, vamos encontrar Vicente Rodrigues, em S. Salvador, ensinando a ler, escrever e contar a vinte meninos.” (Página 550).

Assim como relatado no livro, alguns historiadores entendem que antes desta escola, estaria em funcionamento outra em S. Vicente, sob a direção de Leonardo Nunes, o primeiro professor do Brasil. Houve outras chegadas em 1550 com mais quatro jesuítas – Manuel Paiva, Afonso Braz, Francisco Pires e Salvador Rodrigues que traziam sete meninos órfãos para ajuda-los na catequese. Em 1552, escolas em S. Salvador, Espírito Santo e S. Vicente já residiam escolas com quantidades de alunos muito grandes, onde eram ensinados rudimentos de latim e português.

Se tratando de grandes nomes em suas iniciativas, através dos relatos da compreensão da época, houve ali um grande desafio. A dificuldade não se restringia na falta de consenso dos líderes portugueses, em que a educação deveria receber para a expansão da vida intelectual, com as proibições de circulação de impressos, de tipografias, de escolas, sufocando toda e qualquer atividade ou manifestação possível de ser cultural. Portugal, até meados de 1550, só se importava em explorar avidamente as riquezas naturais do Brasil, sem cogitar o desenvolvimento cultural e civilizacional.

O outro problema se tratou da diversificação indígena brasileira que, por sua vez, sempre foi difícil e complicada para a compreensão, principalmente com a falta de recursos da época e que em seu contexto histórico mais aprofundado, várias tribos se diferenciavam por costumes, modos de guerra, alimentação, povoamento, etc. Nós sabemos que a maior preocupação dos Portugueses ao chegarem ao Brasil, não era a colonização em princípio, mas em ancorar próximo de tribos hostis e consequentemente arrecadar problemas. Por existir alguns relatos de determinadas tribos que praticavam o canibalismo na própria convivência, ou simples tribos verdadeiramente hostis, houve também o receio do Manuel de Nóbrega, em uma carta ao padre Simão Rodrigues (1510 – 1579) que representaria o comportamento de algumas tribos, e a dificuldade de comunicação.

Em uma carta de José de Anchieta – aquele que tinha um alto conhecimento cultural e intelectual – para Santo Inácio, nos mostra alguns dos problemas referidos aos seus espaços:

                “Aqui estamos, às vezes, mais de vinte dos nossos, numa barraquinha de caniço e barro, coberta de palha, longa de quatorze pés, larga de dez. E isso, a escola, a enfermaria, o dormitório, o refeitório, a cozinha, a dispensa. Quando a fumaça da cozinha incomoda os professores e alunos, a lição prossegue ao ar livre; porque é preferível sofrer o incômodo do frio de fora, do que o fumo de dentro” (MIRANDA, Theobaldo Santos, em “Noções de História da Educação”. Ed. Pg 552).

Não há como pensarmos em choques culturais sem aceitarmos, também, a junção e mescla destas culturas completamente diferentes. Assim como os índios repassavam para os portugueses os conhecimentos de determinadas áreas, os jesuítas repassavam o conhecimento intelectual e religioso adquirido previamente. A tarefa não foi fácil, inclusive houve o fundamento teórico e prático “RatioStudiorum” (expressado por Plano sistemático associado à política católica) para ajudar, em conjunto de saberes, os Jesuítas a repassar a alta cultura aos índios.

O processo não era perfeito – e devido às condições da época nem tinha como ser – mas ao menos isso trouxe relevância para os primeiros passos do conhecimento no Brasil. Nossos antecedentes ainda estão presentes com força extraordinária, em que a representação educacional e sua prática se deem por conjunto de imagens, valores e idéias para sustentar suas fundamentações. Além de disso, também, realçar capacidades naturais dos índios, exercitando talentos inatos – como a prática da razão – e fortalecendo percepções metafísicas, como aspectos divinos que poucas tribos haviam tentado conceber.

Por tempos a catequização e o ensino dos jesuítas foram crescendo e expandindo a civilização brasileira. Sabemos que, através desses esquemas e modos de educação, os índios foram, cada vez mais, aprendendo técnicas de agricultura que antes não tinham, assim como diz Warren Dean (A ferro e fogo, Companhia das letras, 1996, página 47). Passaram a construir casas, constituíam famílias, e passaram a viver dentro dos princípios morais cristãos.

É necessário dizer que a relação entre Jesuítas e índios nem sempre foram graciosas e calmas. Como nós sabemos em uma rápida passagem em “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” de Leandro Narloch:

“Em 1646, os Jesuítas que tentavam evangelizar os índios no Rio de Janeiro tinham um problema. As aldeias onde moravam com os nativos ficavam perto de engenhos que produziam vinhos e aguardente. Bêbados, os índios tiravam o sono dos padres. Numa carta de 25 de julho daquele ano, Francisco Carneiro, o reitor do colégio jesuíta, reclamou que o álcool provocava “ofensas a Deus, brigas, ferimentos, mortes” [...] Para acabar com a indisciplina, os missionários decidiram mudar três aldeias para um lugar mais longe [...] Não deu certo. Foi só os índios e os colonos ficarem sabendo da decisão para se revoltarem juntos. Botaram fogo nas choupanas dos padres, que imediatamente desistiram da mudança. “ (Página 29).

Os projetos ainda aconteciam, mas nenhum período até o século XIX realçou a falta de universidades e cursos superiores, ou ao menos assim como deveriam ser tratados como os Monastérios da Idade Média no quesito de produções filosóficas, teológicas e intelectuais. A educação concebida pela época e devida suas circunstâncias contemporâneas, não se tratava essencialmente de uma “educação para a vida” que os Católicos já haviam concebido séculos anteriores. Os Jesuítas, neste contexto, expressam a necessidade da educação para a vida, que de certa forma continha suas partes religiosas e por sua vez alavancava o sentimento da vida, no entanto e por uma área mais tenra, o objetivo de catequização não foi estritamente este, mas também o de espalhar o catolicismo que a pouco estava se enfraquecendo.

É preciso ressaltar de que o modelo educacional empregado pelos Jesuítas, se não for o melhor, seria um dos melhores da época, visto que para realizar seus estilos pedagógicos, necessitavam de antemão a compreensão mais profunda possível de seus alunos (Índios). Muito se foi registrado a respeito de seus costumes e formas de convivência, comparado ao que os índios escreviam de si próprios. Afinal, a forma convencional de informações que os índios poderiam conceder se tratava de histórias orais. Não há muita documentação primária de suas relações, o que dificulta o trabalho da compreensão de suas línguas e até mesmo suas diferenciações. No entanto os Jesuítas foram os primeiros e os principais protagonistas nesse processo.

No século XVII, já havia um grande desenvolvimento cultural no Brasil, comparado ao que era antes. Este século, no mundo inteiro, se tratava de grandes acontecimentos nas áreas da filosofia, ciência entre outras que o catalogaram como “Século das Luzes”. O Iluminismo ainda não chegara ao Brasil. Marquês de Pombal só vai expulsar os jesuítas em 1759.

O que podemos já concluir é que, desde a Colônia o Brasil já enfrentava problemas de “anti conhecimento” vindo por parte dos colonizadores e de Portugal propriamente dito. Seja na área mais econômica, ligado aos espaços e condições de ensino, seja na parte política e também na parte cultural que, de certa forma, impediu o crescimento mais forte possível devido ao desequilíbrio das duas áreas anteriores. Mais adiante, veremos as influências Iluministas em nossa educação.


Por - Lucas Emmanuel Plaça.