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Manifesto de 1935

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[Publicamos o “Manifesto de 1935”, escrito a 23 de outubro daquele ano, em Mandelieu, por S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981. Transcrevemos o referido documento a partir da cópia publicada no livro “Dom Pedro Henrique, o Condestável das Saudades e da Esperança”, de autoria do Prof. Armando Alexandre dos Santos, extraído “Correio da Manhã”, órgão republicano do Rio de Janeiro, em sua edição de 26 de janeiro de 1936, que intitulou a matéria “Um manifesto do sr. Pedro Henrique contra a República” e a fez preceder da seguinte nota: “A título apenas de informação, publicamos abaixo o manifesto que de Mandelieu acaba de dirigir aos brasileiros o sr. Pedro Henrique, herdeiro presuntivo do trono brasileiro”. O “Manifesto” foi amplamente difundido em todo o Brasil, com exceção somente do Estado de São Paulo, onde foi proibido pela censura governamental, que alegou sua “linguagem forte”, conforme noticiado pelo “Diário de Pernambuco”, do Recife, em sua edição de 12 de fevereiro de 1936.]

Aos Brasileiros
Em seu Manifesto de 12 de janeiro de 1896, os venerandos chefes do partido monarquista dirigiam à Nação as seguintes palavras:
“A subversão do nosso regime político a 15 de novembro, rápida e instantânea como efeito de cataclismo, não permitiu que se lhe opusesse imediata resistência ativa... Suprimidas desde logo as liberdades públicas, as amplas liberdades sob as quais nasceu e vivia o Império Brasileiro, e mais tarde destruída ou reduzida ao silêncio a imprensa que se aventurou a moderadas censuras, era de fato inútil qualquer esforço para que a vontade nacional saísse de urnas eleitorais cavilosamente preparadas para as mais ousadas burlas por regulamentação ‘ad-hoc’. Nestas circunstâncias, só restava aos monarquistas esperar pelas promessas da República, ruidosamente afirmadas na mesma ocasião em que se fazia retumbar por toda parte a infamação da Monarquia. Se aquela, apesar do vício original, entregue a si mesma, sem cooperação suspeita, nem o menor entrave dos adversários naturais, conseguisse mostrar-se benéfica, não haveria, a começar pela Família Imperial, um só obstinado que se recusasse e deixasse de agradecer a melhoria. Mas, decorridos quase sete anos, a consciência pública, o foro íntimo dos próprios republicanos de boa fé compara os fatos e só registra decepções e desastres.”
“Essas palavras de justiça e de patriotismo, escritas em 1896, poderíamos repeti-las hoje, com a autoridade que lhes conferem mais dezoito anos de desvarios e de desmandos, dezoito anos de uma experiência desastrosa para as instituições implantadas no Brasil pelo ato inconseqüente de alguns revoltosos” – acrescentava em 1913 o meu inolvidável e saudoso Pai, o “Príncipe Perfeito”, assim chamado pela generosidade dos nossos patrícios.
Pacientes, esperamos mais 22 anos em vão. Ao invés, assistimos aos vexames sem conta infligidos à nossa Pátria estremecida.
Hoje, porém, faz-se sentir um sopro de reação contra tantas misérias; o povo, farto de ser explorado pelo atual regime, procura novo caminho, e muitos volvem saudosos as vistas para os tempos felizes do Império; acudindo ao apelo dos seus chefes legítimos, os monarquistas erguem a cabeça. Chegou a hora de pedir-se contas à República, pondo nas conchas da balança os serviços que ela tem podido prestar ao País e os sacrifícios que dele tem exigido. Infelizmente para a nossa Pátria, a experiência das instituições que lhe forma impostas não lhe têm trazido, no largo período que medeia de 1889 a 1935, senão desastres e decepções. Se despirmos o corpo da Nação das roupagens ilusórias com que os nossos adversários a têm adornado, encotra-lo-emos cheio de fundas chagas que urge curar para lhe restituirmos a formosura primitiva.
O Brasil não precisa somente de homens que compreendam a situação e possam encaminhar a solução dos grandes problemas que se impõem ao nosso estudo. Precisa, também, de instituições que permitam a esses homens realizar os seus programas. Não necessitamos de estéreis lutas pessoais ou políticas, mas sim de idéias claras, lógicas, definitivas e proveitosas – Gesta, non verba! (atos, não palavras!) – que importem na satisfação exata de nossas conveniências atuais e futuras. O que nos importa não é a vitória de tal ou tal grupo, mas a formação de um Brasil grande, forte e próspero.
A Monarquia não é um partido, é uma solução nacional. Nós, os monarquistas, não exibimos nomes, mas idéias claras e princípios definidos.
Temos um programa, já delineado no primeiro Manifesto, de 1909, do meu saudoso Pai, cujas diretrizes parecem ter por vezes influído nos constituintes de 1934, mormente no que se refere à justiça e à legislação social.
Esse programa esperamos realizá-lo nas suas linhas gerais, alterando-o somente no que for necessário e chamando a nós todos os brasileiros de boa vontade, sem distinção de partido, preocupados unicamente com o bem do País, com o seu desenvolvimento material, intelectual e moral.
Nossas diretivas gerais devem constituir a caudal em que vêm se fundir as aspirações das diversas facções nacionais, que partilham dos nossos postulados ou com eles simpatizam. Nessa caudal, ainda que por vezes agitada pela tormenta, não há lugar para lutas entre seus afluentes, pois ela os vai unificando no decorrer da sua rota. As águas se interpenetram e se fundem de tal modo que, pouco depois de vencida a sua foz e por mais violentamente coloridas que sejam, constituem um todo homogêneo, em que não se distingue mais as divergências originais, mas sim uma grande mole coesa, em que cada elemento contribui para o fim comum.
A grave lição de 45 anos de regime inadaptável está a indicar que, dentro das instituições vigentes, não há solução possível para a nossa Pátria. A República está morta, não somente por nós, monarquistas, mas pelos próprios republicanos. A nossa principal propaganda tem sido a evidência dos fatos, a força da verdade.
Se, livres de preocupações quanto ao futuro da nossa nacionalidade, nos devêssemos contentar com a abolição de um regime desastrado, só teríamos que cruzar os braços e esperar. Há, porém, grande interesses nacionais, de ordem moral e econômica, que correm risco de ser sacrificados, se continuarmos a ficar arredados de toda discussão e intervenção nas cousas públicas, pois devemos partir do princípio que tudo quanto é nacional é nosso.
A Monarquia não deve erguer-se sobre cinzas. Para que seja benéfica deve encontrar ainda os alicerces necessários à sua ação. Para isso contamos com o valor e o bom senso do povo brasileiro, que, nas crises difíceis que nosso País já atravessou e está atravessando, sempre soube guardar intactas a integridade e a honra nacionais.
As boas causas têm força intrínseca e tão grande que, sem o concurso de uma imprensa partidária, sem propaganda persistente e metódica, assistimos hoje ao renascimento triunfante da ideia monarquista, considerada antes de 1909 como mera utopia. A Monarquia não se traduz por saudosismo, como tentam fazer crer os nossos adversários, pois é justamente por ser instável que o Estado falta em competência e meios, material e economicamente, e pelo mesmo motivo será sempre tentado a confiscar as liberdades, que não está em condições de orientar com autoridade bastante. Por não estar em condições de concebê-lo e assegurá-lo, o Estado confunde o interesse geral com o seu interesse político, identificando-o com o interesse sempre variável, da facção dirigente.
Eis o papel que cumpre à Monarquia, pois o Chefe de Estado não tem partido, nem ambições pessoais distintas da universalidade; não tem eleitores nem bairrismo. Compreendido na própria entidade nacional, o bem público é o seu próprio bem. Quanto a mim, colocado pelo falecimento do meu inolvidável Pai, à testa do nosso partido, representante, depois dele, do princípio monárquico no Brasil, estarei sempre à disposição da nossa Pátria para desempenhar o papel que, por unânime consenso da Nação, nos foi outrora atribuído.
Deus vos preste o seu auxílio, para o maior bem do Brasil!
Viva o Brasil!

Pedro Henrique
Mandelieu, 23 de outubro de 1935

Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981



O Príncipe Imperial Dom Luís Maria publica seu segundo manifesto

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O Príncipe Imperial Dom Luís Maria publica seu segundo manifesto no dia 6 de agosto de 1913 em Montreux.

O Príncipe Imperial Dom Luís Maria escreveu e enviou ao Diretório Monárquico do Rio de Janeiro um segundo manifesto, desta vez, endereçado a todos os Brasileiros.

No documento Dom Luís Maria trata sobre o grande progresso que país vinha ganhando nos anos finais do Império, exalta a reforma da Capital Federal realizada pelo governo republicano transformando-a em uma das mais belas cidades, porém ressalta os perigos deste governo.

O Príncipe Imperial mostra que a República é contra nossos costumes e tradições e que tem sido injusta com o povo brasileiro, pois negligenciou o Norte, tendo atenções aos estados do Sul devido ao grande esforço industrial, levando a uma luta ineficaz contra as oligarquias que resultou em revoltas sangrentas. O Príncipe ainda acusa a descentralização da Justiça, as despesas enormes do governo, a falta de economia com o dinheiro do contribuinte e retoma os mesmos assuntos tratados pelo seu Manifesto de 1909, fazendo um balanço entre aquela data e esta.

Dom Luís chega a conclusão que o Exército fora sucateado, o povo desinstruído e as instituições nacionais desmoralizadas, ou seja, em 23 anos de República todos os avanços iniciados pelo Império não tiveram continuidade.

O Príncipe retoma o programa da Casa imperial do Brasil: “Monarquia hereditária, sob a forma federativa; Constituição e reorganização de um exército e de uma marinha proporcionais à população do nosso vasto território e às nossas dilatadas costas marítimas, e vias fluviais; luta contra o analfabetismo pela instrução primária obrigatória; justiça unitária e independente; desenvolvimento da Viação; expansão do comércio e da indústria; fomento de imigração e de grandes empresas estrangeiras (ressalvados os direitos dos atuais habitantes do país); delimitação exata das atribuições dos três poderes; enfim, a mais ampla liberdade eleitoral, o respeito dos direitos das minorias, e a formação de partidos sólidos com programas definidos, superiores às subalternas considerações de interesse pessoal.”

Jura sua disposição à Pátria e resume no meio de seu texto o governo vigente: “A República Brasileira tem sido o governo de poucos contra todos e para poucos. Em um país essencialmente democrático como o nosso, a condição do povo não tem merecido a mínima atenção.”

Imagem: “Luís, Príncipe Imperial do Brasil”, Pierre Petit, 1909.


Nasce a Princesa Pia Maria de Orléans e Bragança

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Nasce a Princesa Pia Maria de Orléans e Bragança no dia 4 de março de 1913 em Boulogne-Billancourt.

A Princesa Dona Pia Maria Raniera Isabela Antonieta Vitória Teresa Amélia Gerarda Raimunda Ana Miguela Rafaela Gabriela Gonzaga de Orléans e Bragança e Bourbon, filha do Príncipe Imperial Dom Luís Maria e da Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias, nasceu em Boulogne-Billancourt, na casa de Paris da Família Imperial, em 4 de Março de 1913.

Durante sete anos, entre 1931, com o falecimento de seu irmão mais velho Dom Luís Gastão, e 1938, com o nascimento do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil Dom Luiz Gastão, seu sobrinho, Dona Maria Pia foi intitulada Princesa imperial do Brasil.

A Princesa Dona Pia Maria passou a ser intitulada Condessa de Nicolay devido ao seu casamento com o Conde René Jean Marie Nicholas de Nicolay em 1948. Desta união nasceram dois filhos, sem direitos de sucessão ao Trono pelo casamento ter sido morganático, Louis-Jean de Nicolay, Marquês de Goussainville, casado com a Condessa Barbara Marie Anne d'Ursel de Bousies, tendo descendência, e Robert Marie Pie Benoit de Nicolay, casado com a Princesa Nathalie Laetitia Jeanne Yvonne Marie de Murat, tendo descendência.

O seu segundo filho, Robert Marie de Nicolay, teve relevância na política Francesa, sendo Conselheiro Referendário da Corte de Auditores e alcançando o cargo de Ministro de Estado.
A Condessa de Nicolay, Princesa Pia Maria do Brasil, faleceu no Castelo du Lude, aos 87 anos, em 24 de Outubro de 2000.

Imagem: Dona Pia Maria no colo de sua avó, a Princesa Isabel, cercada pelo seu avô, Conde d'Eu, pais e irmãos.

O Príncipe Dom Luís Gastão Antônio de Orléans e Bragança

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Nasce o Príncipe Dom Luís Gastão Antônio de Orléans e Bragança no dia 19 de fevereiro de 1911 em Cannes.

O Príncipe Dom Luís Gastão Antônio Maria Filipe Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Bourbon, segundo varão do Príncipe Imperial Dom Luís Maria e da Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias, nasceu em Cannes no modesta Vila Maria Teresa, o palacete de exílio de seus avós maternos o Conde e a Condessa de Caserta.

O Príncipe foi elevado a Príncipe Imperial com o falecimento de sua avó, a Princesa Dona Isabel e a sucessão pelo seu irmão mais velho, Dom Pedro Henrique, como Chefe da Casa imperial Brasileira. Esteve no Brasil durante o Centenário da Independência em 1922 com toda a Família Imperial e realizou outra viagem à Tunísia e à Argélia com seu tio, o Príncipe Carlos das Duas-Sicílias.
Dom Luís Gastão Antônio faleceu com apenas vinte anos de idade em 8 de Setembro de 1931 sem ter se casado ou gerado descendência.

Imagem: Da esquerda para direita - Dom Pedro Henrique, Dom Luís Gastão, Dona Maria Pia e Dona Pia Maria. 

O Príncipe Imperial publica seu primeiro manifesto

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O Príncipe Imperial publica seu primeiro manifesto no ano de 1909.

O “Príncipe Perfeito” como foi alcunhado pelo Rei da Bélgica, Príncipe Imperial Dom Luís Maria escreve em 1909 seu primeiro manifesto aos membros do Diretório Monarquista no Rio de Janeiro, pouco tempo após sua elevação à Príncipe Imperial do Brasil e casamento com a Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias.

O documento, uma exposição das posições políticas do Príncipe Imperial, tratava da defesa do federalismo, do papel das forças armadas para manter a unidade nacional em um sistema federalista, de uma justiça unitária e independente como um dos maiores vínculos da coesão nacional, de uma educação livre e regulada pelo Estado, assim como da educação familiar. Dom Luís Maria ainda defendeu ainda a expansão da viação férrea para o desenvolvimento das indústrias e do comércio nacional, a união e entendimento da classe operária e da classe proprietária dos bens de produção para dissipar desconfianças, um novo ajuste entre a Igreja Católica e o Estado Brasileiro, mas defendendo também a laicidade dos estabelecimentos públicos. Por fim, o Príncipe Imperial argumentou em favor da restauração do Conselho de Estado, do mandato vitalício dos senadores, do reestabelecimento das ordens honoríficas, da separação dos Poderes, complementando com a proteção da “mais ampla liberdade eleitoral, o respeito do direito das minorias, a formação de partidos sólidos com programas políticos bem definidos, superiores às mesquinhas questões de interesse individual”.

Todas estas diretrizes enviadas como programa do Diretório Monárquico pelo Príncipe Imperial visavam “fazer do Brasil o que já foi, um Brasil onde se consorciem a ordem com a liberdade, o capital com o trabalho, o progresso com a probidade, o respeito ao governo com a inviolabilidade de todos direitos garantidos pela Constituição”.

Imagem: Imagem do Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luís Maria.

Nasce o Príncipe do Grão-Pará Dom Pedro Henrique

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Nasce o Príncipe do Grão-Pará Dom Pedro Henrique no dia 13 de Setembro de 1909 em Boulogne-Billancourt.

O Príncipe Dom Pedro Henrique Afonso Filipe Maria Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Boubon, primeiro filho varão do Príncipe Imperial Dom Luís Maria e da Princesa Maria Pia das Duas-Sicílias, nasceu em Boulogne-Billancourt em 13 de Setembro de 1909.

Dom Pedro Henrique foi intitulado desde o nascimento como Príncipe do Grão-Pará, recebendo o título de Príncipe Imperial do Brasil com o falecimento de seu pai em 1920, mantendo a posição até suceder sua avó, a Princesa Dona Isabel, como Chefe da Casa imperial do Brasil e Imperador de jure.

O Príncipe foi batizado na Capela do Palácio de Boulogne-sur-Seine em 15 de Setembro com água trazida do Brasil após ter sido registrado no Consulado Brasileiro, tendo por madrinha a avó paterna, a Princesa Dona Isabel, e padrinho o avô materno, o Conde de Caserta.

Imagem: Dom Pedro Henrique no colo da avó, Princesa Dona isabel.